segunda-feira, 18 de maio de 2009

Obama começa a recuar

As tímidas promessas de maior respeito pelos direitos humanos, feitas por Obama, parecem ter começado a resvalar. Agora é a polémica quanto à proibição da divulgação de novas fotografias das torturas infligidas no Iraque.
Mas elas já foram divulgadas no site australiano e podem ser vistas aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Só saio de presidente quando for velhinho?


Prémio "só saio de presidente quando for velhinho" para o presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão, que considerou "ser sua 'obrigação' disponibilizar a experiência acumulada ao longo de 30 anos à frente da autarquia, submetendo-se a novo escrutínio dos eleitores nas autárquicas agendadas deste ano".

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Autoridade da Concorrência pitosga?


A Autoridade da Concorrência andou 9 meses para conseguir descobrir uma maneira de fingir que não havia concertação de preços nos combustíveis. Os homens esforçaram-se e conseguiram afirmar aquilo em que niguém acredita. Nem eles!
A regulação apregoada para moralizar o capitalismo e os excessos da sua ganância está à vista na “extraordinária e altíssima competência” desta autoridade.
Poderemos ficar descansados. A regulação está no seu melhor.
A autoridade ganha o prémio super pitosga!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Miss Universo acha Guantánamo lindo

"Dayana Mendoza, a Miss Universo de 2008, venezuelana, foi a Guantánamo a 27 de Março, para levantar o moral das tropas americanas. "Foi muuuito divertido", disse no seu blogue. "Nem queria vir embora, é um local tão relaxante, tão calmo e tão lindo." Esta é a prisão onde os EUA têm mais de 240 prisioneiros. "Visitámos os campos de detenção e as celas, onde tomam banho, como se divertem com vídeos, aulas de arte, livros. Foi muito interessante", disse. Este relato do jornal público é deveras elucidativo.
Palavras para quê?

terça-feira, 17 de março de 2009

sindicalismo livre ou lambe botas?


Sócrates foi encerrar o congresso da Tendência Socialista na UGT. Aí resolveu elogiar a UGT e os sindicatos livres que, afinal, servem de capacho aos interesses dos patrões. Sindicatos que aceitem e acordam com as mais violentas leis feitas, no período pós - 25 de Abril, até hoje são mesmo sindicatos de elogiar.

Quando Sócrates não tem mais nada para mostrar que os desacreditados sindicatos da UGT, não tem mais para elogiar do que o Sr. Proença, só mostra como está seco e sem aliados.

terça-feira, 10 de março de 2009

PS, PSD, CDS, PCP todos com o ditador

O Público relata como todos os partidos tecem elogios a José Eduardo dos Santos. Todos menos o BE. Ao menos haja alguém com verticalidade que não se lamba nos negócios da burguesia corrupta angolana e que saiba o que é o MPLA hoje.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Biometrics, faltam 34.999.999 euros

Diz o DN que o antigo administrador do Excellense Asset Fund, António Countinho Rebelo, declarou que o fundo vendeu esta empresa por 35 milhões € a 19 de Março de 2003. Ora, na SLN a venda aparece com 1 eurito. Ou seja, faltam 34.999.999 euros.
Esta notícia tem uma coisa boa: não falta tudo! A não ser de transparência.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Prémio, Mesquita Machado comilão

Segundo a reportagem do Correio da Manhã, o sr. Mesquita Machado e sua família receberam prendas milionárias dos empreiteiros e a sua fortuna cresceu rápida e em força. Incentivos à sua produtividade, por certo!

Por aí há gente indignada. Não têm com quê. O governo está sempre a dar prendas milionárias aos patrões e "ninguém" se chateia. Ou já se fez alguma manifestação da rua a dizer "ou há moral ou comem todos".

Já lá diz a canção: "eles comem tudo".

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sócrates nem para selo presta!

chegada por e-mail:

Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga.
Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.
O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.
O relatório diz:
"Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Prémio "Parece que Marx acertou"

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Karl Marx, Das Kapital, 1867.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Prémio "Mamã eu quero mamar", versão CIP


Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) disse, no dia 8 passado, que, com excepção da indústria automóvel e de alguns exemplos no sector têxtil, as medidas do Governo de combate à crise “ainda não foram direccionadas para quem mais precisa”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Prémio tu é que devias estar desempregado e ganhar 450€

Teixeira dos Santos negou-se, no parlamento, a aumentar o subsídio de desemprego.
“A justificação dada pelo ministro das Finanças foi a de que aumentar o subsídio de desemprego conduziria a um aumento do desemprego estrutural, devido ao menor incentivo à procura de trabalho que as alterações trariam” relata o JNegócios.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Grito e choro por Gaza e por Israel

Magnífica crónica de Fernando Nobre no seu blogue:

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (“terroristas”) do movimento Hamas.

Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:
- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento “terrorista” Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..
- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas “terrorista” que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!
- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!
- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!
- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!
- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A CRISE



Será que os remédios que faliram no século 20 serão os antídotos da crise que parece liquefazer o capitalismo nos inícios do século 21?


MUITO JÁ se escreveu sobre a crise. Crise dos "subprime", crise especulativa, bancária, financeira, global, réplica da crise de 1929 etc. Floresce uma fenomenologia da crise, em que o que se falou ontem é hoje obsoleto. Os grandes jornais, começando pelo "Economist", falam em "crise de confiança", e a máxima se esparrama. A crise se resume a um ato volitivo. "Fiducia!", diriam os latinos. Eis a chave analítica. Bush, Sarkozy e Gordon Brown redescobriram, então, o estatismo todo privatizado como receituário para eliminar a desconfiança. O remédio neokeynesiano, sepultado nas últimas quatro décadas, ressurge como salvação para o verdadeiro caminho da servidão. Aqui, Lula falou em "espirro nos EUA e marolinha no Brasil". E, ao modo dos pícaros, a cada semana aparece uma nova história, com o calão raspando no chão. Pouco importa que a versão mais recente seja o oposto da anterior, pois há um traço de coerência no discurso: falar o que não faz e fazer o que não fala. Versão íngreme do grande Gil Blas de Santillana. Para além da fenomenologia da crise, vale recordar aqueles (ao menos alguns) que procuraram ir além das aparências. Robert Kurz, por exemplo, vem alertando, desde inícios dos anos 1990, que a crise que levou à bancarrota os países do chamado "socialismo real" (com a URSS à frente), não sem antes ter devastado o Terceiro Mundo, era expressão de uma crise do modo de produção de mercadorias que agora migra em direção ao coração do sistema capitalista. François Chesnais apontou as complexas conexões existentes entre produção, financeirização ("a forma mais fetichizada da acumulação") e mundialização do capital, enfatizando que a esfera financeira nutre-se da riqueza gerada pelo investimento e da exploração da força de trabalho dotada de múltiplas qualificações e amplitude global. E é parte dessa riqueza, canalizada para a esfera financeira, que infla o flácido capital fictício. E István Mészáros, há muito mais tempo ainda, vem sistematicamente indicando que o sistema de metabolismo social do capital, depois de vivenciar a era dos ciclos, adentrou em uma nova fase, inédita, de crise estrutural, marcada por um continuum depressivo que fará aquela fase virar história. Não é por outro motivo que, embora alterne o seu epicentro, a crise se mostra longeva e duradoura. E mais: demonstrou a falência dos dois mais arrojados sistemas estatais de controle e regulação do capital experimentados no século 20. O primeiro, de talhe keynesiano, que vigorou especialmente nas sociedades marcadas pelo "welfare state". O segundo, de "tipo soviético", que, embora fosse resultado de uma revolução social que procurou destruir o capital, foi por ele fagocitado. Em ambos os casos o ente regulador foi desregulado. Processo similar parece ocorrer na China de nossos dias, laboratório excepcional para a reflexão crítica. E, afinal, quem vai pagar a conta? A OIT adverte: para 1,5 bilhão de trabalhadores, o cenário é turbulento e será marcado pela erosão salarial e ampliação do desemprego, não só para os mais empobrecidos mas também para as classes médias que "serão gravemente afetadas" ("Relatório Mundial sobre Salários 2008/2009"). Se uma das três grandes montadoras dos EUA (GM, Ford e Chrysler) fechar as portas, evaporam-se milhões de empregos, com repercussões funestas para o desemprego mundial. O Eurostat, que oferece as estatísticas da União Europeia, calcula que, se a indústria automotiva de lá cortar 25% dos empregos, gerará, numa tacada, 3 milhões de desempregados. Na China, com quase 1 bilhão que compreende sua população economicamente ativa, cada ponto percentual a menos no PIB corresponde a uma hecatombe social, e os operários deserdados das cidades não têm mais o campo como refúgio. O PC chinês pode esperar nova onda de revoltas, ampliando o cenário da tragédia atual. Sem falar nos imigrantes do mundo, errantes em busca de qualquer labor, que agora são expulsos em massa do "trabalho sujo", uma vez que ele também passa a ser cobiçado pelos trabalhadores nativos, inflados pela xenofobia e pressionados pela anorexia social. Enquanto isso, uma parte grandona da "esquerda" atolou-se tentando remendar o velho sistema do mercado. Está, agora, em estado pasmado. Paralelamente, a magistral crítica da economia política do capital parece renascer das cinzas... Será que os remédios que faliram no longo século 20 serão os antídotos da crise que parece liquefazer o capitalismo nos inícios do século 21?


RICARDO LUIZ COLTRO ANTUNES, 55, é professor titular de sociologia do trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor, entre outros livros, de "Os Sentidos do Trabalho".


Publicado no Folha de S. Paulo

sábado, 27 de dezembro de 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Especulação: antecipar as legislativas?


Santana Lopes veio criar o "alarme", o "PS quer antecipar as legislativas".

O PS ganharia alguma coisa com isso? Talvez. Dava menos tempo a Manuela Ferreira Leite para coesionar o PSD (se ela não continuar a dar tiros nos pés), evitava mais as consequências da crise económica que as suas políticas agravam, retiraria algum espaço de demarcação ao PSD se as eleições fossem simultâneas com as europeias, invocava até diminuição de despesas e mais tempo de debate para as "importantes" autárquicas, a sua última referência eleitoral era a vitória nos Açores, estava exposto a menos tempo de desgaste político, dava menos tempo a Alegre e outros de novas acções constestatárias, invocaria mais tempo para preparar um orçamento no ano das tormentas...

E perderia? Talvez, se isso criasse alguma instabilidade no apoio que está a conceder à burguesia portuguesa - o que é um argumento de peso, se se considerar que uma vitória nas legislativas, próximas das autárquicas, ajudassem os resultados destas últimas, ou até se isso dificultasse uma derrota imposta aos professores...

A ver vamos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fome, o filme

O filme sobre a greve de fome dos prisioneiros do IRA é daquelas obras imprescindíveis. Quase todo rodado dentro da prisão é todo ele cheio de cenas simples mas muito fortes, muito violentas até.
O filme traz-nos esta mítica luta dos republicanos enfrentando a "dama de ferro" e a brutal repressão prisional. Mas traz-nos ainda mais a reflexão sobre a greve da fome enquanto forma de luta. Ou até que ponto ela o é?
Veja aqui a crítica do filme. E aqui a crónica sobre o filme no Ípsilon.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

As migalhas que alimentam os ricos

Nota 20 para este cartoon de Luís Afonso no Público de domingo.


sábado, 6 de dezembro de 2008

A uma educação sem a cedilha


(ou gastar cera com ruins defuntos)


Acima das metáforas, a sério
e contra a prática da hipocrisia,
gostava de fazer uma poesia
que fizesse cair um ministério,


o que se esmera a ser a cobra prima,
legislador em prosa de leproso,
que é um triunvirato tenebroso,
que é uma cruz que nos caiu em cima,

que é o surdo e o cego e que persiste
sem vislumbrar além do seu umbigo,
sonâmbulo que só fala consigo
e faz de conta que mais nada existe.

Militante do turvo e do confuso,
alcandorado no seu trono imenso,
com poder em abuso e sem o uso
elementar do mais comum bom senso.

Examinam-se e surgem-nos exactas
as inexactidões dos próprios actos,
expressas nas erratas das erratas
que são os seus decretos caricatos.

A vida, corrigindo-lhes discursos,
há muito que os tornou ultrapassados.
Fazem sorteios e chamam-lhes concursos,
colocando o rigor nos sorteados.

A sua solução é concentrar
em cada professor um inimigo.
O propor... não o sabem conjugar.
Só o impor... e só se for castigo.

Mas a grande, a suprema solução
é a medida popular e mística
que sujeita o docente à retenção
e o aluno ao sucesso da Estatística.

Confundem as vitórias com derrotas.
Querem-nos quietos a contar migalhas.
Mas de quem malbarata as suas tropas
a história diz que não ganhou batalhas.

Bússola gasta que já não norteia,
são a troça que roça o antipático,
o atraso mental, a verborreia,
a veia irracional, o burocrático.

Repelentes, pretendem repelir-nos,
a raiva já subiu a titular,
mas, se nos querem cães, vão consentir-nos
o direito sagrado de rosnar.

Para além de ridículos e fúteis,
são à razão soberbos atentados
e, ainda que cancelem, só são úteis
quando eles próprios forem cancelados.

Eis o resumo de um triunvirato,
em que a perfídia é o que mais perfilha.
A sua lucidez é um hiato.
A sua educação é sem cedilha.


Euleriano Ponati

(chegado por e-mail)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Governo assina acordo com o seu umbigo



O Jornal Público publica hoje uma notícia curiosa: "O Governo assinou ontem um protocolo de cooperação com o provedor para o Trabalho Temporário, a RTP, a rádio TSF e a Valentim de Carvalho para combater explorações laborais de portugueses no estrangeiro. Um dos objectivos é lançar uma campanha informativa para alertar os portugueses que pretendam trabalhar no estrangeiro acerca dos seus direitos e deveres. O provedor para o Trabalho Temporário, o deputado socialista Vitalino Canas, diz não receber muitas queixas deste género, apesar de nos últimos anos terem ocorrido diversos problemas no sector".

Há aqui duas coisas ilariantes. A primeira que o governo faça um protocolo pecisamente com o porta-voz do seu próprio partido. A segunda, a de que o dito provedor do trabalho temporário/porta-voz do partido socialista/deputado na AR não receber queixas de abusos de trabalho temporário. Ora pois claro, desde quando é que os trabalhadores se devem queixar aos defensores dos patrões?

Se os trabalhadores emigrantes estiverem à espera do apoio do provedor dos patrões poderão esperar sentados.

terça-feira, 25 de novembro de 2008