quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os gatos e o Sócrates


Era uma vez uma menina que chegou à escola e disse à professora:

- A minha gata teve quatro gatinhos e são todos apoiantes do Sócrates. A professora achou muita graça e no dia seguinte, quando passou por lá o inspector, pediu à aluna que contasse a história da gata:

- A minha gata teve quatro gatinhos e dois são apoiantes do Sócrates.

- Então mas ontem não eram todos apoiantes do Sócrates?

- Sim, mas dois já abriram os olhos!

chegado por e-mail

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mais ocupantes, mais mortos!


"O número dos militares britânicos mortos no Afeganistão – que, desde o final de 2001 já chegou aos 184 - já é superior ao do Iraque (179), revelou o Ministério da Defesa britânico (MoD)".
Já depois desta notícia soube-se que "
Quatro soldados americanos morreram ontem na explosão de vários engenhos armadilhados no Sul do Afeganistão, naquele que é o pior revés sofrido pelas forças dos EUA desde o início, há dez dias, de uma operação terrestre em grande escala no Sul do país", segundo relata o jornal Público.
Ou seja, o aumento das forças ocupantes está a resultar em aumento de mortos ocupantes.
E agora foram mais portugueses para lá... O que mostra como a santa aliança do regime funciona bem!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

t-shirt oficial das festas do colete encarnado


Os “cornos” do Pinho


O acto de Manuel Pinho reflecte um certo clima de desorientação que se apossou do PS. E há contradições que mostram as suas dificuldades: a cedência à agenda do PSD, as declarações de António Costa contra Mário Lino a propósito do Metro de Lisboa, a viragem de menino mau a menino bom de Sócrates…

sábado, 27 de junho de 2009

Os milhões da vergonha do BCP


A pouca vergonha atingiu mesmo as mais altas figuras da elite burguesa. Agora foram 5 ex-gestores do BCP a ser acusados de burla qualificada (claro, todos senhores doutores da mais fina formação), falsificação de documentos e manipulação de mercados.
Estes rapazes apenaas ampliaram os seus prémios em 24 milhões de euros, apenas sacaram 291 milhões em participação de resultados, apenas provocaram prejuízos de 600 milhões e só num dia as suas off-shores transacionaram metade das acções do BCP negociadas em bolsa.
Coitadinhos, tão bons rapazes!
imagem do blogue conselho de ministros

terça-feira, 2 de junho de 2009

Chamem a polícia!


“Algumas corretoras portuguesas, de grande dimensão, queixam-se de que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem vindo a fazer uma actuação inspectiva excessiva”. Dizem os rapazes que “a presença excessiva da CMVM afasta os investidores, designadamente fundos de investimento”. Olha que chatice!
Esta coisa de ter a “polícia” a olhar para os negócios, muito “honestos”, daqueles rapazes é chato. É mesmo muito chato.
Eles coitadinhos ficam envergonhados de ter a polícia ao pé. Eles são mesmo pessoas muito envergonhadas, coitadinhas.
E não se queixam ao Paulo Portas? Ele quer sempre pôr um polícia em cada esquina! Por causa dos ladrões, diz ele.
Não é que a polícia da CMVM valha de alguma coisa, dizem que é especialista a deixar passar os negócios como os do BCP, do BPP ou do BPN. Tiraram o curso no Banco de Portugal.
Mas é chato.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Obama começa a recuar

As tímidas promessas de maior respeito pelos direitos humanos, feitas por Obama, parecem ter começado a resvalar. Agora é a polémica quanto à proibição da divulgação de novas fotografias das torturas infligidas no Iraque.
Mas elas já foram divulgadas no site australiano e podem ser vistas aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Só saio de presidente quando for velhinho?


Prémio "só saio de presidente quando for velhinho" para o presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão, que considerou "ser sua 'obrigação' disponibilizar a experiência acumulada ao longo de 30 anos à frente da autarquia, submetendo-se a novo escrutínio dos eleitores nas autárquicas agendadas deste ano".

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Autoridade da Concorrência pitosga?


A Autoridade da Concorrência andou 9 meses para conseguir descobrir uma maneira de fingir que não havia concertação de preços nos combustíveis. Os homens esforçaram-se e conseguiram afirmar aquilo em que niguém acredita. Nem eles!
A regulação apregoada para moralizar o capitalismo e os excessos da sua ganância está à vista na “extraordinária e altíssima competência” desta autoridade.
Poderemos ficar descansados. A regulação está no seu melhor.
A autoridade ganha o prémio super pitosga!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Miss Universo acha Guantánamo lindo

"Dayana Mendoza, a Miss Universo de 2008, venezuelana, foi a Guantánamo a 27 de Março, para levantar o moral das tropas americanas. "Foi muuuito divertido", disse no seu blogue. "Nem queria vir embora, é um local tão relaxante, tão calmo e tão lindo." Esta é a prisão onde os EUA têm mais de 240 prisioneiros. "Visitámos os campos de detenção e as celas, onde tomam banho, como se divertem com vídeos, aulas de arte, livros. Foi muito interessante", disse. Este relato do jornal público é deveras elucidativo.
Palavras para quê?

terça-feira, 17 de março de 2009

sindicalismo livre ou lambe botas?


Sócrates foi encerrar o congresso da Tendência Socialista na UGT. Aí resolveu elogiar a UGT e os sindicatos livres que, afinal, servem de capacho aos interesses dos patrões. Sindicatos que aceitem e acordam com as mais violentas leis feitas, no período pós - 25 de Abril, até hoje são mesmo sindicatos de elogiar.

Quando Sócrates não tem mais nada para mostrar que os desacreditados sindicatos da UGT, não tem mais para elogiar do que o Sr. Proença, só mostra como está seco e sem aliados.

terça-feira, 10 de março de 2009

PS, PSD, CDS, PCP todos com o ditador

O Público relata como todos os partidos tecem elogios a José Eduardo dos Santos. Todos menos o BE. Ao menos haja alguém com verticalidade que não se lamba nos negócios da burguesia corrupta angolana e que saiba o que é o MPLA hoje.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Biometrics, faltam 34.999.999 euros

Diz o DN que o antigo administrador do Excellense Asset Fund, António Countinho Rebelo, declarou que o fundo vendeu esta empresa por 35 milhões € a 19 de Março de 2003. Ora, na SLN a venda aparece com 1 eurito. Ou seja, faltam 34.999.999 euros.
Esta notícia tem uma coisa boa: não falta tudo! A não ser de transparência.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Prémio, Mesquita Machado comilão

Segundo a reportagem do Correio da Manhã, o sr. Mesquita Machado e sua família receberam prendas milionárias dos empreiteiros e a sua fortuna cresceu rápida e em força. Incentivos à sua produtividade, por certo!

Por aí há gente indignada. Não têm com quê. O governo está sempre a dar prendas milionárias aos patrões e "ninguém" se chateia. Ou já se fez alguma manifestação da rua a dizer "ou há moral ou comem todos".

Já lá diz a canção: "eles comem tudo".

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sócrates nem para selo presta!

chegada por e-mail:

Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga.
Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.
O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.
O relatório diz:
"Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Prémio "Parece que Marx acertou"

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Karl Marx, Das Kapital, 1867.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Prémio "Mamã eu quero mamar", versão CIP


Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) disse, no dia 8 passado, que, com excepção da indústria automóvel e de alguns exemplos no sector têxtil, as medidas do Governo de combate à crise “ainda não foram direccionadas para quem mais precisa”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Prémio tu é que devias estar desempregado e ganhar 450€

Teixeira dos Santos negou-se, no parlamento, a aumentar o subsídio de desemprego.
“A justificação dada pelo ministro das Finanças foi a de que aumentar o subsídio de desemprego conduziria a um aumento do desemprego estrutural, devido ao menor incentivo à procura de trabalho que as alterações trariam” relata o JNegócios.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Grito e choro por Gaza e por Israel

Magnífica crónica de Fernando Nobre no seu blogue:

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (“terroristas”) do movimento Hamas.

Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:
- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento “terrorista” Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..
- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamisaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas “terrorista” que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!
- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!
- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!
- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!
- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A CRISE



Será que os remédios que faliram no século 20 serão os antídotos da crise que parece liquefazer o capitalismo nos inícios do século 21?


MUITO JÁ se escreveu sobre a crise. Crise dos "subprime", crise especulativa, bancária, financeira, global, réplica da crise de 1929 etc. Floresce uma fenomenologia da crise, em que o que se falou ontem é hoje obsoleto. Os grandes jornais, começando pelo "Economist", falam em "crise de confiança", e a máxima se esparrama. A crise se resume a um ato volitivo. "Fiducia!", diriam os latinos. Eis a chave analítica. Bush, Sarkozy e Gordon Brown redescobriram, então, o estatismo todo privatizado como receituário para eliminar a desconfiança. O remédio neokeynesiano, sepultado nas últimas quatro décadas, ressurge como salvação para o verdadeiro caminho da servidão. Aqui, Lula falou em "espirro nos EUA e marolinha no Brasil". E, ao modo dos pícaros, a cada semana aparece uma nova história, com o calão raspando no chão. Pouco importa que a versão mais recente seja o oposto da anterior, pois há um traço de coerência no discurso: falar o que não faz e fazer o que não fala. Versão íngreme do grande Gil Blas de Santillana. Para além da fenomenologia da crise, vale recordar aqueles (ao menos alguns) que procuraram ir além das aparências. Robert Kurz, por exemplo, vem alertando, desde inícios dos anos 1990, que a crise que levou à bancarrota os países do chamado "socialismo real" (com a URSS à frente), não sem antes ter devastado o Terceiro Mundo, era expressão de uma crise do modo de produção de mercadorias que agora migra em direção ao coração do sistema capitalista. François Chesnais apontou as complexas conexões existentes entre produção, financeirização ("a forma mais fetichizada da acumulação") e mundialização do capital, enfatizando que a esfera financeira nutre-se da riqueza gerada pelo investimento e da exploração da força de trabalho dotada de múltiplas qualificações e amplitude global. E é parte dessa riqueza, canalizada para a esfera financeira, que infla o flácido capital fictício. E István Mészáros, há muito mais tempo ainda, vem sistematicamente indicando que o sistema de metabolismo social do capital, depois de vivenciar a era dos ciclos, adentrou em uma nova fase, inédita, de crise estrutural, marcada por um continuum depressivo que fará aquela fase virar história. Não é por outro motivo que, embora alterne o seu epicentro, a crise se mostra longeva e duradoura. E mais: demonstrou a falência dos dois mais arrojados sistemas estatais de controle e regulação do capital experimentados no século 20. O primeiro, de talhe keynesiano, que vigorou especialmente nas sociedades marcadas pelo "welfare state". O segundo, de "tipo soviético", que, embora fosse resultado de uma revolução social que procurou destruir o capital, foi por ele fagocitado. Em ambos os casos o ente regulador foi desregulado. Processo similar parece ocorrer na China de nossos dias, laboratório excepcional para a reflexão crítica. E, afinal, quem vai pagar a conta? A OIT adverte: para 1,5 bilhão de trabalhadores, o cenário é turbulento e será marcado pela erosão salarial e ampliação do desemprego, não só para os mais empobrecidos mas também para as classes médias que "serão gravemente afetadas" ("Relatório Mundial sobre Salários 2008/2009"). Se uma das três grandes montadoras dos EUA (GM, Ford e Chrysler) fechar as portas, evaporam-se milhões de empregos, com repercussões funestas para o desemprego mundial. O Eurostat, que oferece as estatísticas da União Europeia, calcula que, se a indústria automotiva de lá cortar 25% dos empregos, gerará, numa tacada, 3 milhões de desempregados. Na China, com quase 1 bilhão que compreende sua população economicamente ativa, cada ponto percentual a menos no PIB corresponde a uma hecatombe social, e os operários deserdados das cidades não têm mais o campo como refúgio. O PC chinês pode esperar nova onda de revoltas, ampliando o cenário da tragédia atual. Sem falar nos imigrantes do mundo, errantes em busca de qualquer labor, que agora são expulsos em massa do "trabalho sujo", uma vez que ele também passa a ser cobiçado pelos trabalhadores nativos, inflados pela xenofobia e pressionados pela anorexia social. Enquanto isso, uma parte grandona da "esquerda" atolou-se tentando remendar o velho sistema do mercado. Está, agora, em estado pasmado. Paralelamente, a magistral crítica da economia política do capital parece renascer das cinzas... Será que os remédios que faliram no longo século 20 serão os antídotos da crise que parece liquefazer o capitalismo nos inícios do século 21?


RICARDO LUIZ COLTRO ANTUNES, 55, é professor titular de sociologia do trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor, entre outros livros, de "Os Sentidos do Trabalho".


Publicado no Folha de S. Paulo