domingo, 3 de fevereiro de 2008

Por acções comuns, a nível mundial, contra os inimigos comuns




Da IPS, extraído do portal do Movimento dos Trabalhadores sem Terra - MST.


Por Mario Osava


O integrante da coordenação do MST e da Via Campesina João Pedro Stedile analisa o Fórum Social Mundial e a importância dessa articulação internacional, de caráter antineoliberal e anti-imperialista."Os eventos do FSM serviram também para romper a hegemonia ideológica de total aprovação ao neoliberalismo. Agora, necessitamos gerar espaços de debate mais próximos dos movimentos, das pessoas, dos centros de estudo e das universidades", afirma. O desafio dos grupos que fazem parte do FSM, segundo Stedile, é fazer ações de massa a nível internacional contra inimigos comuns, que representem o imperialismo, as transnacionais, os bancos e os organismos internacionais."As manifestações nas ruas foram e são importantes como instrumentos de propaganda de idéias, mas são insuficientes para deter o neoliberalismo. É necessário avançar para concretizar ações de massa contra os inimigos comuns", acredita.


Leia a seguir a entrevista.


Você acredita que foi uma boa idéia não realizar um encontro este ano, mas atos locais pelo mundo todo?


Não existe o risco de dispersão, perda de identidade, desmobilização nos próximos anos?A Via Campesina sempre defendeu no Comitê Internacional que deveríamos realizar um evento só a cada três anos para priorizar as atividades locais e regionais. Não podemos dispersar recursos, energias só em eventos mundiais. O futuro do FSM depende de termos espaços nos quais mais pessoas possam participar. Por isso, ao contrário, as atividades nacionais, regionais, congregam mais que os eventos mundiais.


Alguns membros do Conselho Internacional do FSM defendem a tomada de posições políticas em temas de consenso. O que você acha?


A Via Campesina Internacional compreende que o FSM é um espaço de debate e intercâmbio de idéias. Seria uma ilusão ou idealismo acreditar que seja possível estabelecer ali acordos mais práticos ou plataformas de maior unidade ideológica. Isso poderia resultar numa dispersão ou pura luta ideológica. Nós apostamos no FSM somente como um espaço de debate, uma chuva de idéias. Já é muito importante nesse período histórico ainda de descenso do movimento de massas mundial, que tenhamos espaços de debate de idéias para, pelo menos, consolidar visões comuns, antineoliberais e anti-imperialistas.


Não há um problema de representatividade no FSM e, inclusive, de democracia interna, com movimentos sociais que abrangem a milhões de ativistas em muitos países tendo a mesma voz que organizações não governamentais locais de poucos membros?


Não há problemas nem de representatividade nem de democracia se compreendermos o FSM como um espaço, onde todas as pessoas estão convidadas a participar e dar suas idéias. É um espaço de reflexão, não de decisão, de elaboração programática etc... Por isso, não necessitamos de cuidados de delegação de poder ou representatividade.


O dramatismo que ganhou a mudança climática não obriga o FSM a mudar suas prioridades, seus temas centrais?


Nossa principal preocupação, nesse momento é manter a agenda em torno da luta contra o neoliberalismo e contra o imperialismo. Obviamente que o tema da mudança climática, das agressões ao meio ambiente estão diretamente involucradas com o modelo de desenvolvimento neoliberal e com as necessidades imperialistas. Certamente esse tema terá maior espaço e preocupação de agora em diante, até porque suas consequências sociais e ambientais estão mais evidentes. Coisa que não eram evidentes há três ou quatro anos atrás. No máximo, para alguns investigadores ou profetas como Boff o enxergavam com maior clareza. Então, não é uma questão de prioridade, mas uma questão de enfoque.


A repercussão do FSM, depois do impacto da novidade dos primeiros encontros, parece haver se reduzido. O que falta para se conseguir uma maior incidência política, na vida das pessoas e das sociedades?


Aquilo que reduziu foi o impacto de um evento mundial, que teve a audácia de se contrapor ao evento de Dávos. Isto é verdade. Já passou a fase da novidade. Naquela época, em 2001, ninguém conseguia ter influência nos meios de comunicação, na opinião pública contra o neoliberalismo. Os eventos do FSM serviram também para romper a hegemonia ideológica de total aprovação ao neoliberalismo. Agora, necessitamos gerar espaços de debate mais próximos dos movimentos, das pessoas, dos centros de estudo e das universidades. Por isso, defendemos que o FSM tem que gerar espaços prioritários de debates nos países e regiões.


Além da sua continuidade e fortalecimento: quais são os ganhos do FSM? Influenciou em alguma coisa para modificar o modelo da globalização? Em que?


O principal ganho é congregar intelectuais e dirigentes dos movimentos sociais do mundo todo para refletir sobre os limites e consequências do modelo neoliberal e imperial. Estávamos num período histórico no qual até um amplo setor da esquerda, especialmente da esquerda partidaria, aderiu a certas teses do neoliberalismo. Outros setores se calaram. Em toda a Europa, e também na América Latina, governos de partidos ditos socialistas aplicaram programas neoliberais, a serviço do capital internacional e financeiro. Foi muito importante gerarmos um espaço de contra-hegemonia neoliberal e dar argumentos e reflexões para que os movimentos sociais pudessem sair da confusão ideológica.


Quais são os limites do FSM? Até onde pode chegar a sua contribuição para a mudança social a qual se propõe?


Os limites do FSM são claros e, por isso, não podemos ter a pretensão de ser uma internacional de trabalhadores. Porque não é. Nem tampouco será o comité central que define linhas políticas para todos os demais. Tem que ser um espaço de reflexão. O desafio é que ao redor do FSM, nós, os movimento sociais, e todas as diferentes formas de organização popular devemos aproveitar para articular ações de massa. Acredito que é mais do que necessário que os setores que possuem base social e influência nas massas devem passar para uma nova etapa que é fazer ações de massa, conjuntas, em nível mundial, contra um mesmo alvo. A unidade ideológica que temos é pequena, mas importantíssima: estamos todos contra o imperialismo, as guerras e o neoliberalismo. Agora, em torno dessa unidade mínima, devemos planejar ações de massa, que representem concretamente uma ação contra o Império, as transnacionais, os bancos, os organismos internacionais, como a OMC, Banco Mundial, FMI, TLCs. As manifestações nas ruas foram e são importantes como instrumentos de propaganda de idéias, mas são insuficientes para deter o neoliberalismo. É necessário avançar para concretizar ações de massa contra os inimigos comuns.


Pesquisas sobre o perfil dos participantes mostram que o FSM composto de uma elite cultural, com uma maioria de escolaridade universitaria e das camadas médias. Isso não contradiz os ideais de inclusão e de mudar o mundo?


É natural que seja assim, quando se analisa o Fórum como um evento mundial para debater idéias. Portanto, necessita de recursos econômicos e de certa formação intelectual. Por isso, é que defendemos reduzir esse tipo de atividades e priorizar atividades de outro tipo.


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sobre o mesmo tema pode ainda ler Boaventura Sousa Santos e Inácio Ramonet ao Portal Esquerda. Outras opiniões sobre o debate estratégico em curso no FSM pode ser lido no portal do FSM aqui

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A tragédia da esquerda italiana


A esquerda italiana é protagonista de uma tragédia. Há alguns anos atrás os euro-comunistas passaram-se com armas e bagagens para o campo da social-democracia e do capitalismo. Sobreviveram um conjunto de comunistas que assumiram a reedição do partido através do Partido dos Comunistas Italianos ou da Refundação Comunista.
Esta liderada por um ex combatente sindical, Fausto Bertinotti, impulsionou os movimentos sindicais e sociais, fomentou a combatividade contra o neoliberalismo aplicado por Silvio Berlusconni.
Foi também o tempo da auge do Fórum Social Europeu e do Fórum Social Mundial. Fausto Bertinotti escreveu então as doze teses (ler aqui). Elas foram um aroma fresco nas perspectivas da esquerda. Porque rompiam os acordos de governo com os partidos social-democratas, porque colocavam a tónica decisiva que o combate ao capitalismo era não só uma importância de alternativa mas também de pura sobrevivência. Fausto escreveu:“O facto de que possa construir-se uma transição procurando uma aliança de governo com os reformistas, facto fixado por uma identidade histórica herdada do passado, sofre um golpe mortal na situação actual".
Por ironia de um destino que parece fadar a esquerda para a capitulação Fausto assumiu as dores da sua própria morte política. A Refundação sustentou o governo Prodi, aceitou o ataque aos serviços e aos funcionários públicos, aceitou a guerra no Afeganistão e até novas bases militares da NATO no seu país (que antes queria expulsar) – tudo em nome do medo do papão de Il Cavalieri. O resultado só poderia ser desastroso.
Foi a própria direita quem lhe fez a folha e obrigou à queda do governo Prodi. Os tristes episódios desta novela tiveram até cenas de agressão em pleno parlamento. Tudo uma vergonha.
As sondagens indicam farta maioria para Berlusconni. A direita e a extrema-direita parecem ter posta a passadeira de acesso ao poder. Mais uma vez, a social-democracia, os partidos da internacional socialista, com a ajuda da esquerda, abrem o espaço político para o regresso da direita.
Novos e fortes ataques aos trabalhadores aí vêem. Novas dificuldades porque aumenta a pressão reaccionária da direita na Europa, porque o centro do império ganha ainda mais alianças no centro da Europa.
O momento político é acompanhado pela recomposição partidária. A Itália está a formatar-se para um poder bipartidário. Na “sujeira de Nápoles” a burguesia italiana parece quer estabilidade.
O PCI, a Refundação e mais alguns vão juntar-se num novo partido. Esta fusão, sem críticas visíveis à política do governo Prodi onde estas forças se inseriam, será mais uma recomposição até ao anúncio da próxima morte?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Jerónimo de Sousa contra Alvaro Cunhal


As notícias sobre o congresso da CGTP que este fim-de-semana fazem páginas inteiras de jornal merecem umas n0tas comparativas.

No tempo de Cunhal a CGTP aparecia com uma certa capa de abertura. Vários dirigentes do Conselho Nacional pertenciam a diferentes correntes políticas apesar de nunca ter sido permitido às correntes mais à esquerda terem acesso à Comissão Executiva. O movimento sindical unitário era visto pela direcção do PCP como uma frente onde estavam os seus membros mas que trabalhavam em conjunto com outras correntes. Fazia-se uma certa de questão de mostrar alguma abertura - ainda que muitas vezes fosse retórica.

Mas nos 10 últimos anos acentuaram-se fortemente as características menos democráticas no msu. Imensos sindicatos mudaram os estatutos para dificultar ao máximo o aparecimento de listas concorrentes. As listas aos corpos gerentes passaram a ser mais de 200 membros em vários sindicatos, passaram a incorporar o todo nacional e a impedir a apresentação - pelos trabalhadores - de listas às respectivas direcções regionais. Alguns sindicatos passaram o mandato para o tempo máximo de 4 anos. A febre controleira foi tal vários dos grupos dirigentes que protagonizaram as alterações deixaram eles mesmos de conseguirem fazer listas obrigando-os a novas alterações de estatutos e a diminuírem os nº de dirigentes ou de direcção regionais. Foi assim no SIESI ou nos Ferroviários.

Mais recentemente a coisa piorou. Isto porque a nova linha sindical de Jerónimo Sousa acentuou a sua separação com a linha Cunhal. Os sindicatos passaram a ter exclusivamente militantes do partido nas posições mais importantes. Mesmo como membros de direcções muitos activistas não militantes do PCP passaram a personas não gratas. Outros, membros do PCP mais defensores do espírito unitário do msu opuseram-se - em regra foram ou estão a ser corridos. Foi assim no SPTFN. Em último recurso fazem-se listas só de "malta de confiança" para tentar correr com os não alinhados. Foi assim no SINTTAV ou no SPGL - com derrotas ortodoxas.

Agora os últimos episódios desenvolvem-se no CN e na Executiva da central. O desenlace já se espera.

A pluralidade do movimento sindical é a consequência natural da pluralidade da classe. A pluralidade na classe, a dialéctica na classe, a luta política na classe são coisas muito boas. São coisas necessárias ao desenvolvimento da consciência de classe - para o assumir da consciência da classe em si, para si.

Anular a pluralidade nos órgãos da classe, embora em nome de uma identidade de um partido que se diz da classe, é anular administrativamente os factores que favorecem o avanço proletário. É ajudar a influência da ideologia e da alienação burguesa sobre a classe.

É isso que talvez esteja a acontecer.

sábado, 26 de janeiro de 2008

O sucesso do papel higiénico


Diz o "Jornal da Caserna Pingada" que este papel higiénico foi de tal sucesso nos hipermercados que se esgotou em menos de nada. O mais estranho é que este papel higiénico estará inspirado na arte contemporânea.

O estranho caso foi alvo de notícia no jornal da noite da TV e Cassete Pirata tendo sido comentado pelo famoso Joe da Berarda. Este famoso homem de negócios disse que o sucesso do referido papel higiénico se deve a ser um elemento central da sua colecção de arte moderna. O objectivo, diz o conhecido Joe, é provocar no visitante da obra de arte tal repulsa que o leva a empregar da maneira mais certa. E se ele o diz...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

AUTORIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA

Os desgraçados dos imigrantes que se encontram presos no SEF do Porto reclamam o direito à vida com esperança. O governo português na linha de Sarkozy está a recambiá-los para a miséria e a fome. Eles já disseram que voltarão a tentar, que arriscarão novamente a vida para conseguir a esperança, que para eles é a Europa. Eles deram a conhecer que, recentemente, 30 dos seus amigos tinham morrido no mar em mais uma das milhares de loucas travessias.
O governo invoca a defesa da imigração legal. Ora a sua política, seguindo a linha PSD/CDS dá mais de cem mil imigrantes ilegais em Portugal. A sua política é uma falência completa. A política PS/PSD/CDS ajuda as redes mafiosas de tráfico humano. O governo nem sequer cumpriu a lei que ele mesmo fez, pois os imigrantes colaboraram com as autoridades e denunciaram os mafiosos. Agora talvez os espere um ajuste de contas. Talvez se saiba, daqui a dias, que alguns deles foram executados pelos traficantes. Mas Sócrates dormirá descansado.
Também, o sono dos mafiosos é sempre descansado.

A Chapelada eleitoral

António Vilarigues traz hoje no Público um artigo de opinião que merece ser lido. Vilarigues demonstra como a propaganda da necessária estabilidade política nas autarquias é uma mentira pegada. Ele refere, e bem, que em 9 processos eleitorais, em 308 municípios nunca uma câmara caiu por estar em minoria. E veja-se, são 2772 eleições. A CMLisboa caiu pelo que se sabe e vai aparecendo à luz do dia.
A sociedade portuguesa está a atravessar um processo de concentração anti-democrática de poder. A burguesia deve estar a ficar com receio de tumultos às suas políticas que tenham consequências eleitorais. E toca de tomar medidas.
As medidas estão, no entanto, a criar descontentamento em vários sectores próximos do PS. É pois motivo para perguntar aos militantes do PS se se gostam de se ver ao espelho todas as manhãs, se o conseguem fazer sem remorso ou até sem uma pontinha de revolta.

domingo, 20 de janeiro de 2008

11 notas sobre a situação política


1. Os EUA vão mostrando a crise da sua hegemonia, o fracasso da sua política externa e das guerras preventivas. Os périplos de Bush não têm conseguido impor o isolamento do Irão e uma guerra contra este país. A situação económica norte-americana continua instável com a crise do chamado mercado de sub-prime e de habitação.
2. O falhanço da conferência de Bali vem reforçar a importância estratégica da energia no controlo ambiental, no desenvolvimento e na necessidade de que seja nacionalizada e esteja ao serviço público.
3. A aprovação do Tratado de Lisboa mostrou uma unidade defensiva da burguesia europeia. O medo da democracia, o medo de que os de baixo tomem palavra e lhes estourem com o projecto fá-los unirem-se contra os povos e a sua expressão democrática.
4. As leis eleitorais são para reduzir a democracia ao rendimento mínimo e concentrar o poder ao rendimento máximo. As autárquicas pretendem encher o país de caciques locais, os salvadores da influência e do clientelismo do PSD e PS irmanados no tacho comum. As legislativas que se seguirão haverão de servir para impedir e limitar PCP, BE e até CDS no acesso à Assembleia da República e impor uma democracia que só existe para dois partidos.
5. As leis de gestão das escolas servirão para acentuar a anti-democracia, colocam os professores em minoria no conselho directivo e dão novos poderes ao caciquismo autárquico.
6. As leis de controlo de informação, na net… servirão para implantar a suspeição generalizada, o medo generalizado e mostrar que a cada momento, em qualquer lugar, a perseguição poderá cair sobre qualquer pessoa.
7. As leis de segurança interna permitem a prisão por 48h sem qualquer autorização judicial – prenda hoje, legalize depois.
8. As leis de trabalho visam implantar a bomba atómica do despedimento por inadaptação, conceito difuso para conseguir um despedimento sem justa causa – ilegal e inconstitucional – mascarado de legal. Servirá para dar, ainda mais, cabo da contratação colectiva e do movimento sindical.
9. Enquanto tudo isto, sobem os preços e baixa continuamente o poder de compra dos trabalhadores. O desaumento de 2,1% na função pública serve para continuar o roubo a estes trabalhadores e para dizer que assim deve ser no privado. As pensões ganham um critério de actualizações: em função do PIB; se este não subir acima dos 3% não há aumento. Mais as novas ganham um outro critério: o da chamada sustentabilidade, ou seja mais uma maneira de roubar dinheiro ao povo.
10. O Serviço Nacional de Saúde continua a desintegrar-se. Todos os dias chovem notícias de escândalos e mortes quiçá evitáveis. O povo saiu à rua e agora surge uma petição por um SNS de qualidade e gratuito.
11. Estamos no tempo de chamar à luta, à acção, à cidadania. É preciso protestar. O congresso da CGTP poderia ajudar a alargar a luta e a confluência de forças. Pena que as primeiras notícias não tenham esse indicador.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Democracia para quê?

PS e PSD estão achando que a democracia é uma chatice. Só devia haver democracia na Coreia e no Irão. Por cá, lado ocidental, essa coisa só atrapalha. Esta proposta de lei autárquica pretende pôr 300 caciques a mandar nas câmaras do país sem gente a atrapalhar os negócios com os empreiteiros, com as imobiliárias, sem gente a atrapalhar o emprego para os afilhados, sobrinhos, filhos, netos, irmãos e comparsas. É assim no lado ocidental, o regime dito democrático começa a ter como referências a ausência de democracia.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Bloco censura governo no ponto certo?


O Bloco de Esquerda é o primeiro partido a lançar uma moção de censura (leia aqui) à maioria PS. Em boa hora o fez. A censura surge na sequência da negação do referendo - Sócrates faltou descaradamente à palavra dada e assumiu que a democracia é coisa secundária comparada com os negócios de imposição de um Tratado desconhecido e já anteriormente rejeitado.

Rejeitar a democracia, porque podia ganhar o que eles não queriam, é um pecado mortal destes democratas da burguesia. É um enorme buraco na demagogia burguesa. A burguesia europeia garante a sua estabilidade à custa do corte da democracia.

A esquerda tem imensos motivos para censurar as políticas do governo, em particular nas áreas económicas e sociais, apesar de apenas passar um mês da aprovação do orçamento. Mas censurar Sócrates pela sua violação da democracia é atacar a maior fraqueza do momento deste governo. Esta é uma lança certeira!